quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A FAINA DAS SEMENTEIRAS




             A FAINA DAS SEMENTEIRAS  9/01/2013




Entre nuvens gordas e um véu de bruma,a Natureza chora à farta a sua solidão.
No centro do Inverno rural, quando os passaros descem doloridamente às herdades espreitando o recomeço das lavouras sem o calor guloso e bárbaro de um sol assassino, as argilas grossas e emproadas sorvem a últimas águas e dão ao viandante a realissima impressão de terem um imenso celeiro ao ar livre, implorando o respeito dos homens.
A blega é sangue e epopeia, e geme por entre as maldições dos temporais e enxurradas, o céu está escuro, e um pinheiro solitário grotescamente inclinado que daqui se vê, parece um vagabundo a pedir esmola de um rasgo de sol macio.


A terra Alentejana, nestes dias cinzentos de principios de Dezembro, à espera de ciclones alvacentoos ou de simples ventanias, todas as noites a vomitarem impressões, escorre do seu corpo  escalavrado uma humidade vermelha e pegajosa e os sulcos dos alquerves parecem arrepiar-se nas planuras solitárias, bem como os chaparros, de copas crispadas pelo reumatismo da estação. A terra Alentejana toma outro aspecto, tem outro brilho,desta vez mais baço, de um azul quase melindroso, doentio, esparramado de salpicos, pardos, que dão ao chão de urtigas e bolotas uma alma singular, na tortura do clima.
Pela manhã adiante, com o vento a uivar nos espaços medonhos, que ora se esconde nas ladeirinhas  dos outeiros ora se levanta como uma praga ártica,as parelhas seguem o caminho das "folhas»,carregadas de sacos de semente. As estradas são de macadame, de pedras aguçadas, cheias de covas descomunais, e os ganhões, têm de guiar cuidadosamente as alimárias pelas bermas para se não atascarem.

Nos longos, ou aqui mesmo ao pé de nós, as mãos rudes, encortiçadas de cieiro, dos rurais, manejam os atilhos de sacaria disposto pelos alpendres; as carroças paradas parecem esculturas em relevo, na acidez do tempo; as charruas no solo,são atreladas aos animais-e os sementeiros,, largas alcofas feita no género dos esteirões algarvios, vão ser carregados de grãozinhos preciosos e postos aos ombros dos camponeses presos a uma corda.
Vêem os arados e desenterram a bicharada nociva à agricultura, e as alvéolas, atrás e à frente dos bois e das parelhas,cumprem a sua missão domestica de saneadoras das grandes terras lavradas, perdidas até ao limite dos mundos, entre o céu e  terra de uma beleza biblica,chamusacados aqui e além de uma neblina descalça e de estonteante frieza.
Vêm ainda poisando, mais ao largo, bandos de cotovias, pintassilgos e tentilhões, companheiros da liberdade, entoando hinos de alegria, num anúncio da estação das sementes. O inverno risonho e ribaldeiro, acossado de lenhas fantasmais, entra no peito e nos olhos dos ganhões como um advento de esperança e de austeridade e está a principiaqr a sua obra necessária. É preciso semear para recolher sem parança, hora após hora, dia após dia, que não tardam a aparecer os grandes aguaceiros acompanhados de granizo.
Os homens, de quando em quando, falam com a solidão, olhando o firmamento e pairam a faina benfeitora, as mãos enregeladas, os olho0s violáceos, salpicados de lágrimas, tratando de acomodar melhor os apeiros ao corpo dos animais.


Mais longe, os semeadores, naquele gesto augusto que tanto os personifica, silenciosos como as ervas e puros como a névoa da manhã, vão espalhando as doiradas sementes pela humidade dda terra revolvida e perfumada e, quem se afirme bem a olhar a paisagem no coito de alguma cabana abandonada ou no alto de algum cerro vergastado de frio, há-de pensar que o campo alentejano  é um paraiso de bondade. Tudo está à mostra dir-lhe-à que a Natureza confia nos homens como nunca confiou em qualquer parte do mundo! 

Exactamente. Os lancis à mostra estão prontos, uma correnteza de regos que se perde no horizonte de bruma e o trigo, rei dos reis, soba silencioso das herdades, que se semeia nesta altura das águas novas, é lançado à terra, como um testemunho da eternidade: prece e dádiva, é mesmo assim a vida! Todavia, se o tempo for enxuto, o lavrador tem de pensar que a colheita não se  adivinha e que, portanto, mais vale semear a seco, antes que as enxurradas venham dificultar o grangeio da ganharia e encher de incertezas o próprio trabalho do semeador. Este , no entanto, continua a semear os bagos de cereal a lanço, numa cadência perfeita, norteada pelo embelgador, que ajeita a jangada com dedos certeiros e consoante os modos  de que a faina se reveste. As formigas e as nuvens de passarada vagabunda e turbulenta, pardais, tordos estorninhos, sabe-se lá a familia de pássaros daninhos e esturdios que lá nascem, aparecem à flor do solo, remendando a paisagem de vultos caricatos e angulosos, miniaturais.


Todas as estradas estão desertas. As de alcatrão desfilam, baçamente escorridas da água das chuvas, e nem um vulto se adivinha agora para lá dos campos desnoitados de pasmo. Sopra o vento norte, que enregela os ossos da malteagem. A meia hora de caminho, homens obscuros trabalham nos « montes» e o que fazem eles ? Arranjam os utensilios de lavoura, consertam potes de ferro, retalham azeitonas novas, e os abegões serram madeira de azinho, para dar acabamento aos carros que transportam as sementes e consertam rodas ou largos varões onde as muares se atrelam, varões e rodas escavacadas nalgum balanço dos carreiros de granito ou covas de fundura mal avaliada.
Para as bandas de um terreno coutado,ouvem-se tiros de caçadeiras aopressadas em doido morticinio de peças de caça. Ao rés de um talhão de courela,passa uma lebre, lépida e esbaforida e lá longe entre uma azinheira e um piornal, um perdigueiro vvem correndo, a ladrar. No céu, bem no fundo dos plainos, uma águia está descrevendo circulos no espaço grandes e rápidos, depois mais descaídos e curtos, a aproximar-se de um terreno de olival. Por certo que vai assassinar algum coelho novo perdido da toca, ou  perdiz zaranza, de olhitos fitos no infinito, cabecinha tonta levemente inclinada, como se estivesse gozando na mais estranha pachorra, os seus derradeiros minutos de vida.
Olham-se o horizonte azimbrado e julga-se ver a Espanha, mesmo por cima da nevoaça que a paisagem oferece à vista desarmada.O  semador já gastou quase meio dia a espalhar grãos de trigo na terra lavrada. Na terra sempre bendita do Alentejo.! De quando em vez, a alcofa fica vazia e o ganhão agacha-se, põe o chapeu, o lenço ou uma pedra no sitio em que parou a faina, a dar sinal. e vem novamente encher o sementeiro para continuar a obra, que o tempo não está de confiança e é preciso evitar, o mais possivel o periodo dos grandes lamaçais. E a tarde, aos poucos vem cobrindo o enorme plaino de uma vaga tristura, de um medo imaginário de horizontes roxos, de catacumba, parecendo que, por estes sitios tão avaros de verdura, se encontra o fim do mundo. Grita-se e ninguem acode.Canta-se e ninguem ouve. Chora-se, ri-se e ninguem, nem folha açoitada, nem ave diurna se descobrem neste momento de paz..É tudo ermos.Tudo pasmado.


Em coutadas ou pequenos declives lá se ouve, pum! pum-e a tarde vem entornando mais a sua capa capa protectora por sobre esta região desambicionada. Ninguem diz que esta solidão é um viveiro autêntico de produtos essenciais à vida humana. Ninguém diz nem acredita. E no entanto, só neste dia, os semeadores semearam para além de quinhentos hectares de terreno.
As noites que aí vêm são ácidas e velhas. Noites de serão montês, cheirando a serralhas e doidos alecrins, aparvoados  e entanguidas. O frio leva os ganhões a irem às «vendas» beber aguardente seca. Nos cantis dos semeadores, um ou outro patrão mais camarada, mandou deitar umam pinga de vinho novo em gosto de gratidão pelo feito abençoado do semeador. Os carros retornam aos «montes», esfumados na alegoria da noite plena, que não tarda a chegar, alagada de cacimba. E a terra vive ! E os homens cantam baixinho trovas perdidas, angustias desoladas, esperanças doridas, e nas lapasne nos terrenos que a distância guarda,  só o céu negrejado de estrelas e a brancura insólita de certas luzes misteriosas, sabem bem o que vai acontecer....Os grãos estão lançados à voragem da gleba criadora e hão-de frutificar na paz da Natureza.! Ó Alentejo menino, imaginação de eremidas e de desgraçados! Terra de poetas ,de semeadores, de cantigas e de pão, amanhã o Alentejo também vai dar frutos novos, mais carne,mel, azeite, lã e bolotas! As horas passam e as sementes, lá para o fim do mês, despontarão em verdura anã, dando a toda a gente a esperança de que um dia o Mundo será o esforço de um ano, de um século, transformado na paz mais bem feita que os homens souberam criar, uma terra irmã do Céu!
(artigo publicado no Almanaque Alentejano-1964 da autoria de Antunes da Silva)                

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

CIRCUITOS ALENTEJANOS




CIRCUITOS ALENTEJANOS  

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                          PASSEANDO NO ALENTEJO

Encontrei no livro "Alentejo com Alqueva e Litoral Alentejano (Guias de Lazer-lifecooler) uma pequena série de 12 circuitos atraves do Alentejo e que nos põe em contacto mais directo com as planicies e  com os matizados que dificilmente esqueceremos.

                                                                                                
                                                                                                 
ESPERO QUE GOSTEM DAS SUGESTÕES 

Há muitos a verem no Alentejo uma terra de tranquilidade

Os amadores de fotografia têm um vasto campo para mostrar as suas potencialidaes artisticas.







segunda-feira, 9 de novembro de 2009

BAIXO ALENTEJO



            
                    O BAIXO ALENTEJO

O Baixo Alentejo, é uma sub região estatistica portuguesa, parte da Região Alentejo e do Distrito de Beja.
Limita a Norte com o Alentejo Central, a leste com a Espanha, a sul com o Algarve e a oeste com o Alentejo Litoral


COMPREENDE OS SEGUINTES CONCELHOS
Aljustrel , Almodôver, Alvito, Barrancos, Beja, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Ourique, Serpa e Vidigueira. 




AOS CONCELHOS DE :

Aljustrel-pertence
S.João de Negrilhos - Ervidel - Rio Moinhos - Messejana

Ao de Almodover - Rosário - Senhora da Graça de Padrões- Aldeia dos Fernandos - Gomes Aires - Santa Clara a Nova - Santa Cruz - S.Barnabé.



Ao de Alvito - Vila Nova da Baronia 


Ao de Barrancos - Barrancos


Ao de Beja - Brigaches - S.Matias - Baleizão -Beringel - Mombeja - Nossa Senhora das Neves - Santa Clara de Louredo - Quintos - Cabeça Gorda - Santa Victória - Albernoa - Trindade - Salvada 



Ao de Castro Verde -Casével - Entradas - S.Marcos da Ataboeira - Santa Barbara de Padrões. 


Ao de Cuba -Vila Alva - Vila Ruiva - Faro do Alentejo


Ao de Ferreira do Alentejo - Odivelas - Figueira dos Cavaleiros - Alfundão - Canhestros - Peroguarda


Ao de Mértola - Alcaria Ruiva - S.João dos Caldeireiros - Corte do Pinto - Santana de Canelas - Espirito Santo - S.Miguel do Pinheiro - S.Sebastião dos Carros - S.Pedro de Solis.


Ao de Moura - Povoa de S.Miguel - Amareleja - Santo Amador - Safara - Santo Aleixo da Restauração - Sobral da Adiça


Ao de Ourique - Panoias - Conceição - Santa Luzia - Garvão











Ao de Serpa - Pias - Brinches - Vale de Vargo - Vila Verde do Ficalho - Aldeia Nova de S.Bento.


Ao de Vidigueira - Vila de Frades - Selmes - Pedrogão

VISITAR O BAIXO ALENTEJO 


Visitar o Baixo Alentejo é fazer uma viagem no tempo,uma visita às sensações do presente,viver os registos do passado e guardar memórias para o futuro.
Toda a língua e cultura alentejana foram lentamente moldadas pela forte presença de outros povos com outras culturas.
Legados inscritos em pedra e mosaicos, cisternas e fóruns, velhos monumentos e cidades desaparecidas,pontes e estradas, impressionantes megalíticos mestiriosos de simplicidade na sua majestosa homenagem aos Deuses. 









Descubra as ruínas de Pisões e São Cucufate, atravesse as pontes que outrora ligavam margens importantes de comércio e hoje deslumbram os nossos olhares de tão majestosas construções.
Faça uma visita ao Castro Cola, cujas riquezas o transportam até à vida dos nossos antepassados, do Neolítico até ao mundo medieval cristão.
Suba às torres dos Castelos e caminhem nas suas fortalezas.
É grandioso o património existente no Baixo Alentejo disponível para ser visitado.
(Da Internet )

Alem do Baixo Alentejo existe:






O ALTO ALENTEJO

Compreende 15 concelhos:

Alter do Chão.Arronches,Avis,Campo Maior,Castelo dsae Vide, Crato,Elvas, Fronteira,Gavião, Marvão,Monforte,Mora,Nisa,Ponte de Sôr e Portalegre

O ALENTEJO CENTRAL

Compreende 14Concelhos:

Alandraoal,Arraiolos,Borba,Estremos, Evora,Montemor o Novo, Mourão, Portel, Redondo, Reguemgos de Monsaraz, Sousel, Vendas Novas,Viana do Alentejo e Vila Viçosa. 

O ALENTEJO LITORAL
Compreende 5 Concelhos: Alcacer do Sal,Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines     (Fotos do Autor do Blogue)
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POEMA AO ALENTEJO 

(FOTOS DO AUTOR DO BLOGUE)

A luz que te ilumina,
Terra da côr dos olhos de quem olha !
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha condição
Pode compreender e povoar !
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar !.....
De:
Miguel Torga (Diário XII, 20 Outº 1974) 

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Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver o Universo.....
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura......

De Alberto Caeiro




sábado, 7 de novembro de 2009

UM POUCO DE GASTRONOMIA








                 UM POUCO DE  GASTRONOMIA

 A carne do porco e de borrego são a base da gastronomia tradicional da sub região,juntando-se-lhes ainda as espécies cinegéticas como o javali, o coelho a lebre e a perdiz.
O pão, o azeite e as ervas aromáticas são ingredientes fundamentais desta cozinha mediterrânica,dando sabor às sopas, migas,ensopados e açordas.
Os vinhos, queijos,enchidos e presuntos-alguns com Denominação de Origem-são elementos indispensáveis da boa mesa Alentejana.
Os ovos, a gila e a amêndoa são elementos integrantes da confeitaria, sendo de salientar a doçaria conventual. Cada localidade tem as suas especialidades gastronómicas.

Como pratos típicos servem-se desde o gaspacho frio, a açorda quente com ovos, as sopas de tomate de cação,de cachola, de baldroegas, às migas com entrecosto frito, os pezinhos de coentrada, o cozido à alentejana, ou ainda os enchidos para acompanhar uma boa favada. (da internet)

Para qualquer alentejano e não só, estes pratos são uma delicia. Depois disto sugiro qualquer um destes maravilhosos doces:

Tibornas de amêndoa e gila, o sericá, o arroz doce, as queijadas, o toucinho do céu,os nógados, as filhós e as azevias.



Não percam a oportunidade de provar este "sabor alentejano".

Olhos também comem", por isso resolvi juntar estas 5 fotos que vêm no Livro Comeres Alentejanos da autoria de Mathilde Guimarães, É um bom livro que recomendo,para quem gosta da comida alentejana.




A cozinha alentejana é muito rica e variada, cheirosa e muito atraente.
O azeite, o pão, o queijo,as azeitonas e o vinho são produtos que fazem parte de qualquer boa refeição em terras alentejanas. Poderá experimentar variadissimos pratos, desde as sopas de tomate, de cação, dew bacalhau ou de cardos.
Se desejar optar por uma sopa fria, prove o gaspacho. A açorda é um ponto de referência, assim como as migas(de batata, de espargos, de pão) acompanhadas com carne de porco, entrecosto,febraqs fritas. O ensopado de borrego, os pratos de caça são muito tipicos da cozinha tradicional alentejana. (da internete)
Não podia deixar de completar estas referências gastronómicas sem nomear a doçaria( ver nas "Doces Tentações)

Na rubrica "Curiosidades de terras do Alentejo" procurei dar uma  ideia da gastronomia local.


VER TAMBÉM:

 Nos Livros s/o Alentejo-  O Livro de  RECEITAS TRADICIONAIS ALENTEJANAS

E


Açordas de Algibeira - Edição da Camara Municipal de Portel -Março 2009
São cerca de 30 receitas do 3º Congresso das Açordas

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O Alentejo é conhecido pela sua gastronomia e bons vinhos

As migas,o gaspacho,o ensopado de borrego, a carne de porco à Alentejana, a sopa de baldroegas, os pezinhos de coentrada e a sopa de cação são alguns dos pratos bastante apreciados na região.


Entre os petiscos encontramos as moelas, o chouriço e a linguiça, a orelha de porco, os caracóis, os torresmos e o presunto.

Acompanhados com um bom vinho tinto alentejano fazem as delicios de quem prova estas iguarias.

Os doces alentejanos são também sobejamente conhecidos como a sericaia, o bolo de requeijão, as filhóses, o bolo de amendoa e gila entre muitos outros.


RECEITAS CASEIRAS


PRATOS

Açorda à Alentejana - agriões com cogumelos e ovos mexidos - bacalhau com arroz - caldo de baldroegas - caldo mexido para acompanhar peixe frito - carne de porco à Alentejana - codornizes com coentros - cozido à Alentejana - ensopado de borrego - gaspacho - migas à Alentejana - pezinhos de borrego de coentrada - sopa de cação - tomatada à Alentejana

PETISCOS

Salada de orelha - moelas - cabeça de borrego

DOCES

Bolo arrepiado de amendoa - bolo de azeite - bolo de mel - bolo rançoso ou bolo Real - biscoitos -  doce de amendoa e ovos - encharcada - felismina - filhozes do alentejo- filhozes de beja - borrachos(fritos do alentejo) - nógado -  pão leve(pão de ló) - sericaia de Elvas.
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sábado, 31 de outubro de 2009

MOBILIÁRIO TIPICO ALENTEJANO


                                                                   

MOBILIARIO TIPICO DO ALENTEJO
         

O mobiliário pintado alentejano é um estilo de mobiliário de características populares e regionais, que se enquadra no artesanato tradicional e envolve três atividades profissionais: a carpintaria, o empalhamento e a pintura.

Este mobiliário é um produto da cultura alentejana, relacionada com as formas e as funções tradicionais(usos e costumes). Sofreu alterações ao longo dos anos, consoante a realidade cultural do tempo em que era produzido e nos nossos dias é um testemunho real de permanências e inovações culturais.


 Tem uma componente marcadamente pessoal(o gesto), e reflecte uma atitude de criação colectiva.




É a partir de meados do Séc. XIX que encontramos menções escritas às cadeiras de Évora ou cadeiras alentejanas e muito raramente referencias a outras 

peças deste estilo de mobiliário.

Os móveis alentejanos são móveis típicos da região, pintados em tinta de esmalte com fundos brancos, azuis, verdes ou vermelhos e ornamentados com flores, tudo unido com laços coloridos.
As peças mais características são a cama, a escrivaninha, a cadeira com assento em buinho, o guarda fatos, a banquinha de cabeceira, o espelho e a arca.

Em Évora, um dos grandes divulgadores da pintura alentejana foi o Mestre Joaquim António dos Santos, "O Belizanda" nascido na freguesia de Santo Antão-Évora em 1890.  Numa entrevista que deu em 1980, o Mestre Belizanda dizia que os temas destas mobílias foram "deixadas pelos mouros.


Texto extraído da internete

CHAMINÉS






                                                                              

Nas terras alentejanas a cozinha reveste-se de especial importância,acumulando múltiplas funções-além da sua própria, a de refeitório, sala de trabalho e de acolhimento, pois grandes partes das casas abrem para ela a sua porta principal, tornando a cozinha sala de fora.
A lareira , quase sempre não elevada, fica sob a chaminé por onde os fumos se escoam totalmente,permitindo a irrepreensível limpeza da dependência que constantes caiações mantêm resplandecente.Exteriormente as grandes chaminés, na maior parte impostas na frontaria das casas,apresentam-se muitas vezes com molduras de argamassa ou gesso, desenhos esgrafitados, remates sem limite de imaginação.
Nas chaminés de saída cilíndrica a ornamentação confina-se às frechas de saídas de fumos, ou em anéis a elas emitados.
Amplamente se constroem largas chaminés de ressalto, partindo do solo ou de níveis mais elevados apoiados em mísulas, arcos tec.
É frequente também as ruas caracterizadas por competições entre chaminés todas diferentes.

As formas destas chaminés branqueadas a cal e o rendilhado das frestas são por vezes único motivo ornamental exterior da habitação.
No entanto a tiragem destas chaminés abertas a todos os ventos nem sempre funciona bem, e por isso alguns cegam parte das aberturas.


Outro artigo.
Na grande chaminé que vai de parede a parede, em cuja padieira os cobres brunidos e os "arames" estadeiam o seu festivo reflexo palpitante, arde um grande tronco de azinheira.
Àquele lume se achegam os amos e os feitores e os criados, todos no empenho de sacudir dos membros enregelados à friagem que o campo tenazmente lhes insinuou.Sobre a borralheira,entre as brasas de azinho,fazem-se os "magostos" de bolota para os rapazes.


A chaminé é o coração do monte. O lume largo e patriarcal que arde sob o chão, sem grelhas nem cachorros, fica de uns dias para os outros. Basta soprar o borralho em cada manhã, chegar-lhe uma mão cheia de gravetos , e ei-lo que se renova e esplende, redivivo.


A quem escreve estas linhas, mostraram um dia, num monte perto de Marmelar, uma chaminé onde o lume durava há 18 anos, sem nunca se ter apagado.


Sobre a arcada enegrecida das grandes fumaças do Inverno, umas varas de castanho vão de ponta a ponta, em encastradas nas taipas das paredes. Nela se penduram as carnes ensacadas, depois das grandes matanças que vão do Natal em diante, até ao Entrudo. Ali se "curam" os paios e os chouriços e as linguiças que são o conduto das longas digressões de trabalho.
(Texto copiado de um livro muito antigo sobre o Alentejo).
______________________________________________________ Mais um artigo sobre as chaminés Alentejanas que encontrei na Internete:-
As chaminés Alentejanas supostamente de origem arabe, podem ser cilindricas, quadradas ou rectangulares.
No alto da chaminés costuman estar cataventos que por vezes são verdadeiras obras de arte.
As suas dimensões variam e podem chegar até aos 3 metros de altura. com um metro de diametro.
Diz-se que o seu tamanho representava o estatuto social de quem as mandava construir, podendo existir várias chaminés num mesmo telhado.
A chaminé era um local chave na casa pois era opr debaixo da sua aboboda que a família se costumava reunir.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O MONTE

                                                                      O MONTE
                                                        


"Vila" romana, com as caracteristicas de grande propriedade agrícola, originou uma "instituição" que se manteve no Alentejo ao longo de séculos.

No meio dos campos semeados,perpetuado pela politica medieval de ocupação, defesa e povoamento, que levou Reis a doar imensas regiões às ordens militares, o monte é como uma pequena aldeia a que falta capela e cemitério. O verdadeiro monte tem um conjunto de construções e é geralmente situado numa elevação, dominando a maior área de terreno possível.

Já se perdeu a tradição da reunião de família e empregados à volta da lareira, sentados nos mochos, dividindo as tarefas do dia seguinte, contando histórias, ou, cantando, o seu encanto rústico ainda se mantém.
Nas pequenas fazendas, como nas grandes herdades " o monte" é a casa dos patrões ou dos rendeiros, e nele se abrigam também algumas famílias que constituem a corte rural.


Nas grandes herdades ,o monte é quase uma aldeia. Ao grande edifício central vieram juntar-se,um pouco arbitrariamente, os casões para o gado,as quadras, a casa do pateiro, a rouparia, os fornos de cozer pão , os alpendres para os carros, etc.
Mas embora aparentemente tudo isto se erguesse por além um pouco a esmo, cuidou-se sempre que as construções ficassem em 2 linhas que se defrontam e que formam o que em geral se chama " a rua do monte".
O monte é o centro do trabalho do campo.



O Monte Alentejano, coração da antiga lavoura, hoje apenas decorativo e evocador, no silêncio eloquente das suas alvas paredes, encontra-se quase desabitado já que o lavrador o abandonou.






À volta dele erguiam-se outras construções:


-A Capela-simples e modesta, com uma ou duas imagens no interior, o altar bem limpo e decorado com bonitas e valiosas rendas. Celebrada a missa, era da praxe o Prior almoçar com os donos da casa, benzendo a mesa antes e depois das refeições.

-A Casa do Guarda- semelhante a qualquer habitação da aldeia e onde este vivia com a mulher e os filhos
-A Quadra ou Cavalariça- casão grande e arejado, com piso calcetado e em cuja parede fronteira se localiza a importante manjedoura, mesa sempre posta com palha e feno , e onde os animais pernoitavam. Junto deles, dormia o «mulateiro», numa esteira ou tarimba e era ele quem à noite lhesw dava a ração e tinha por missão proceder à limpesa do estábulo.
-O Palheiro- recheado de palha, como o nome indica, que dali era tirada com «forquilhas» para fazer a cama das bestas e lhes encher a barriga
-A Vacaria- semelhante à quadra ou cavalariça, dela só diferindo por em vez de ser habitada por burros, mulas e éguas, se encontrar povoada de excelentes vacas leiteiras.
-A Capoeira- rodeada de redes com desenhos hexagonais, onde ,à noite recolhiam os «bicos» procurando no equilibrio do poleiro, o retemperar das forças para que no dia seguinte, muitos ovos aparecessem no local habitual, onde a lavradora os ia diariamente buscar. Aqui pernoitavam os bonitos galos, de alegre e garrida plumagem e voz de clarinete, que cumpriam escrupulosamente a sua missão diária de cantar ao amanhecer.
-O Ovil -de telhados baixos, onde só algumas ovelhas «afilhadas» e borregos passavam a noite, que a maioria dormia nas pastagens.
A Malhada-«casa de  habitação» de porcas «paridas» e leitões que não podiam acompanhar as «varas» que livremente se alimentavam no «montado».
-A Queijaria- que as mulheres primeiro caiavam muito bem, tiravam as pigas do chão,esfregavam as «ferradas» e «azadas», limpavam a banca, as latas para o requeijão e as cintas onde eram fabricados os queijos. Também era arranjada a «caniçada» onde o queijo fresco seria colocado aq «curar». Chamava-se «roupeiro» ao homem que fazia este delicioso conduto.
-O Lagar-apenas existente nas propriedades onde havia grande «ramo» de olival que justificasse a sua laboração.
-A Amassaria- casa ampla, cimentada ou calcetada, onde o pão era amassado, uma ou duas vezes por semana, conforme a quantidade de pessoal e os costumes que imperavam nas redondezas. O amassador ou a amassadeira, deixava sempre uma porção de massa de cada amassadura e que seria o fermento da seguinte
-O Forno- construido com tijolo «burro» tinha uma porta de ferro e servia para assar os borregos e os leitões e para coser o pão, que era para lá metido e de lá tirado com umas pás de madeira, com um cabo muito comprido.
-A Cozinha dos Ganhões-com grandes mesas rectangulares, algumas com tampo de mármore e com compridos bancos da mesma forma, onde a ganharia tomava as refeições e perto da quaal se situava a dependência que lhe servia de quarto.
-A Casa da Malta ou Gasalho-de paredes por rebocar e cheias de teias de aranha. Era aqui que descansavam os «sem eira nem beira» de quam o lavrador se compadecia. Tinha no chão umas esteiras e uns fardos de palha, tapados com mantas velhas ou sacos de azeitona e que servia de cama.
Nas lavouras mais importantes ainda existia a carpintaria ou abegoaria, onde o carpinteiro ou o abegão fazia e restaurava as carroças., carros e carretas e, a oficina de ferreiro, casa terrea, com uma forja.
-Os Ganhões- criados eventuais que desempenhavam os trabalhos mnais dificeis e que eram os ultimos da hierarquia campesina. Ganhavam mal.
-O Feitor- que era quem mais de perto contactava com o patrão e transmitia as ordens deste a toda a criadagem.
-O Cozinheiro- encarregado da confecção dos alimentos para todo o pessoal
-O Maioral-moural - como diz o povo, encarregado geral de todos os rebanhos. Nalguns locais chamam-lhe «rabadão»
-Os Ganadeiros- cada um com o seu nome proprio consoante o gado que guardavam.
(do Livro:-Motivos Alentejanos de João Ribeirinho Leal)